Abrir mão do controle: o primeiro passo para sofrer apenas com o que é necessário

Uma das coisas mais difíceis de se dizer e de se ouvir é de que, ao longo da nossa vida, vamos sofrer. Queiramos ou não, sofreremos por motivos diversos em diferentes circunstâncias e situações. Sofreremos pelo término de um relacionamento, por um tombo que nos machuca, pela despedida daquele amigo de longos anos que está indo morar em outro Estado, pela perda do nosso bichinho de estimação e pela morte de um ente querido. Poderemos sofrer não só por nós mesmos, mas por outros que conhecemos e também por aqueles que não conhecemos.

E sofremos, geralmente, porque alguma pessoa, objeto ou situação que nos é prazerosa é tirada de nós ou seja impossível de ser vivida ou porque pessoas, objetos e situações que nos são ruins passam a fazer parte das nossas vivências. Os exemplos anteriores evidenciam isso: o término de relacionamento implica na retirada daquela pessoa amada da nossa vida e na impossibilidade de viver com ela no nosso dia a dia. Assim como o tombo que nos rompe algum tecido é a adição de um evento que nos é ruim e doloroso.

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O problema disso está na possibilidade de não sabermos lidar com essas circunstâncias que nos fazem sofrer (desde físicas a emocionais), podendo gerar sentimentos muito mais intensos do que seria esperado e, em função disso, tomamos a atitude mais óbvia e lógica: nos comportaremos a fim de evitar o sofrimento. Talvez seja aqui que começamos a errar na hora de lidar com o que nos faz mal e passamos a tentar controlar as coisas de forma a não sofrermos novamente.

Quantas vezes você decidiu por não se apaixonar mais? Quantas vezes decidiu por não sofrer mais por alguém ou por alguma situação que simplesmente “não merece sua atenção”? Quantas vezes ouviu seus amigos dizerem para fingir que nada aconteceu e seguir a vida? Talvez mais do que gostaria. E quantas vezes mais terá de pensar sobre essas coisas para saber que tentar evitar o sofrimento e tentar controlar as situações que geram sentimentos ruins simplesmente não dá certo?

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Sentimentos simplesmente não são controláveis. Eles são efeitos colaterais daquilo que vivemos. Uma situação que gera tristeza lhe fará se sentir triste assim como uma situação que gera felicidade lhe fará se sentir feliz. E nós não possuímos uma alavanca interna que podemos acionar ou não para “sentir” e “não sentir”. Simplesmente não selecionamos o modo como vamos sentir e pensar.

Dessa forma, conseguimos começar a ver que tentar lutar contra o sofrimento é uma batalha perdida. Afinal, existem algumas coisas na vida que simplesmente não conseguimos controlar: nosso passado (ele já não existe mais, o que aconteceu está onde não podemos mais mexer), nosso futuro (ele ainda não existe, dessa forma, o que vai acontecer também está onde ainda não temos acesso), outras pessoas (o máximo que conseguimos fazer é manipulá-las, se formos déspotas e tirarmos o direito delas para impormos o nosso) e nossos sentimentos e pensamentos (que são gerados por circunstâncias vivenciadas e não por alavancas e decisões internas que selecionam aquilo que vamos sentir e pensar).

Em contrapartida, existe algo que podemos controlar: nossas ações. E, talvez a ação mais eficaz para sofrermos menos, ou melhor dizendo, sofrer o que é necessário, é justamente parar de tentar controlar o incontrolável. E tentar controlar um sofrimento, que é incontrolável, é sofrer duas vezes: pela circunstância que te faz sofrer e pelo fracasso de tentar controlar o sentimento, sobre o qual você não tem poder.

Focar-se em tentar parar de sofrer é sofrer.

NÃO PENSE NO CRISTO REDENTOR.

 

A ordem de não pensar no Cristo Redentor é exatamente o que te faz pensar nele. A ordem que você se dá “não sofra por isso e por aquilo” é justamente o que te faz sofrer ainda mais por isso e por aquilo.

Aceitar que o sofrimento existe, sempre existiu e sempre vai existir e que ele é uma instância incontrolável é uma forma de te fazer mais forte para que se permita ser vulnerável e se comprometa com a sua própria vida. Uma vez que nós paremos de tentar controlar o incontrolável, o sofrimento diminuirá. Uma vez que aprendermos que ser vulnerável não é o mesmo que sermos fracos ou que não somos bons o suficiente, o sofrimento diminuirá.

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Permitirmo-nos sermos humanos e estarmos afim de nos fortalecer para que não soframos demais com coisas que não geram sofrimento em demasia é o primeiro passo para que vivamos de forma mais leve e sincera, em que, provavelmente, sofreremos apenas o necessário e sentiremos a felicidade de uma forma natural e genuína.

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